10 curiosidades sobre o esgoto que provavelmente você não sabia

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O esgoto é uma das maiores invenções da humanidade — e provavelmente a menos celebrada. Sem ele, nenhuma cidade moderna seria viável. Apesar disso, quase ninguém para pra pensar nessa rede silenciosa de canos que percorrem o subsolo. E ela tem histórias surpreendentes.

Aqui estão 10 fatos curiosos sobre o esgoto que provavelmente você não sabia.

1. Os romanos já tinham esgoto há mais de 2.500 anos

A Cloaca Máxima, em Roma, foi construída por volta de 600 a.C. e está em funcionamento parcial até hoje. Originalmente projetada como sistema de drenagem do Fórum Romano, evoluiu para coletar esgoto urbano da cidade inteira. Trechos dela ainda existem sob a Roma moderna e seguem conduzindo água pluvial pro rio Tibre.

Para se ter noção: enquanto Roma já tinha esgoto centralizado, Londres ainda jogava dejetos pelas janelas. O sistema de esgoto moderno só chegou à Inglaterra em meados do século 19, depois da grande epidemia de cólera de 1854.

2. Curitiba tem mais de 5.000 quilômetros de rede de esgoto

A rede coletora de esgoto operada pela Sanepar em Curitiba e região metropolitana ultrapassa 5 mil quilômetros lineares. Se esticasse, daria pra atravessar o Brasil de norte a sul (Oiapoque a Chuí são cerca de 4.300 km).

E essa é só a rede pública. Somando os ramais internos de cada imóvel e a rede pluvial, o total é várias vezes maior.

3. Existe um Dia Mundial do Banheiro

O dia 19 de novembro é o Dia Mundial do Banheiro (World Toilet Day), criado pela ONU em 2013. Não é piada — é uma campanha séria pra chamar atenção pro fato de que cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso a saneamento básico adequado.

O Brasil, segundo dados do Instituto Trata Brasil, tem cerca de 35 milhões de pessoas sem acesso à coleta de esgoto. Em Curitiba, a cobertura é alta (acima de 90%), mas várias áreas da região metropolitana ainda dependem de fossa séptica.

4. Em algumas cidades, descobertas arqueológicas vieram do esgoto

Em Londres, durante obras de manutenção da rede vitoriana de esgoto, foram encontrados objetos romanos, medievais e tudo o que caiu pelo cano nos últimos 200 anos. Algumas peças estão hoje em museus.

Em Roma, ainda hoje, equipes de manutenção da Cloaca Máxima eventualmente recuperam moedas, fragmentos de cerâmica e até estátuas pequenas que caíram durante terremotos ao longo dos séculos.

5. O hidrojateamento moderno tem origem na indústria petrolífera

A técnica de usar água em altíssima pressão pra limpeza não foi inventada pra desentupir cano. Veio da indústria de petróleo, no início do século 20, pra limpeza de tubulações em refinarias. A adaptação pra esgoto urbano só aconteceu nos anos 1950, primeiro nos Estados Unidos e depois no mundo.

Hoje, hidrojatos profissionais chegam a 30.000 PSI em aplicação industrial — equivalente a água saindo com pressão 2.000 vezes maior que a de uma torneira comum. Em uso doméstico, são usadas pressões bem menores (até 3.000 PSI).

6. As "fatbergs" são uma praga mundial — e crescem mais a cada ano

Fatberg é um anglicismo recente (combinação de "fat" — gordura — com "iceberg") usado pra descrever blocos enormes de gordura solidificada com toalhas umedecidas, papel higiênico e fios dentais, encontrados em redes de esgoto de cidades grandes.

O maior já encontrado, em Londres em 2017, pesava 130 toneladas e tinha 250 metros de comprimento — equivalente a um quarteirão inteiro de cano completamente bloqueado. A remoção levou semanas. Trechos do fatberg estão expostos em museu, como advertência sobre o que NÃO descartar pelo vaso.

7. Lenços umedecidos descartáveis não são descartáveis pelo cano

Apesar do rótulo "biodegradável" ou "flushable" (descartável pelo vaso) que muitos lenços trazem, estudos independentes mostram que praticamente nenhum deles se desfaz na água da forma como o papel higiênico se desfaz. Eles permanecem inteiros por horas ou dias dentro do cano, e formam tampão com facilidade.

O Reino Unido tentou regulamentar o rótulo "flushable" justamente por causa do crescimento das fatbergs causadas por lenços. No Brasil, ainda não há regulamentação específica — então, na dúvida, jogue no lixo comum.

8. O esgoto de uma cidade revela seus hábitos de consumo

Análise química do esgoto de grandes cidades é hoje uma ferramenta epidemiológica importante. Durante a pandemia de Covid-19, vários países (incluindo o Brasil) monitoraram a presença do vírus no esgoto pra estimar a circulação da doença na população, mesmo antes dos números de testagem chegarem.

A mesma técnica é usada pra estimar consumo de drogas em diferentes bairros e cidades — análises detectam traços de cocaína, anfetaminas e medicamentos. Em algumas cidades europeias, esses dados são publicados anualmente.

9. Em algumas culturas, o lugar onde fica o banheiro tem significado simbólico

No feng shui chinês tradicional, o banheiro é considerado área de "drenagem de energia" e deve idealmente ser localizado em zonas específicas da casa. Em algumas tradições japonesas, há até divindades associadas ao banheiro (a mais conhecida é Kawaya no Kami, que reside no encanamento).

Já entre os romanos antigos, os banheiros públicos eram tão centrais à vida social que muitos eram decorados com afrescos e estátuas. Era lugar de conversar, fazer negócio, marcar encontros — sem privacidade alguma, e isso era normal.

10. O cano que sai da sua casa é só o começo de uma viagem longa

Depois de sair pelo cano de saída da sua casa, o esgoto percorre, em média:

  • 10 a 30 metros até a primeira caixa de inspeção da rua
  • 200 a 500 metros até o coletor secundário do bairro
  • 2 a 10 quilômetros até o interceptor principal da região
  • 10 a 50 quilômetros até a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE)

Em Curitiba, as principais ETEs (Atuba Sul, Belém, CIC Xisto, entre outras) tratam milhões de litros de esgoto por dia. Após o tratamento, a água é devolvida aos rios em condições adequadas (em teoria — na prática, varia conforme manutenção e investimento).

Cada vez que você dá descarga, um pequeno volume começa uma viagem de quilômetros até retornar ao ciclo da água. Pensar nisso uma vez ou outra é justo pra essa engenharia silenciosa que mantém a cidade habitável.

O elo que faltava

A rede de esgoto é uma das peças mais subestimadas da infraestrutura urbana. Funciona 24 horas, todos os dias, sem que ninguém precise pensar nela — até que algo dê errado. Quando dá, a gente entra em cena.

A Desentupidora Curitiba mantém essa engrenagem funcionando em toda a cidade, há mais de 20 anos. Para qualquer ocorrência, ligue (41) 3079-5359 ou chame no WhatsApp.

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